quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vāmā Mārga & o Despertar da Kuṇḍalinī


Vāmā Mārga & o Despertar da Kuṇḍalinī


Por Swami Satyananda Saraswati
Tradução de Fernando Liguori


Capítulo 14 da obra «Kundalini Tantra», Yoga Publications Trust, 2004


Apresentação

O texto que se segue é uma explicação de meu paramaguru, Paramahamsa Satyananda Saraswati, acerca do vāmā-mārga ou o que ficou genericamente e incorretamente conhecido como Tantra da Mão Esquerda. A intenção em disponibilizar esse texto aos Ocultistas brasileiros é facilitar o entendimento acerca de nossa doutrina. Eu venho demonstrando as interpretações incorretas e abusivas do vāmācāra em textos anteriores como Yoga & Espiritualidade, Tantra, Neotantrismo & Brahmacarya, Gṛhastha Brahmacarya & o Despertar da Śakti etc., todos presentes neste blog.

No meio «ocultista» tem havido um crescente interesse pelo tema magia sexual. O africano P.B. Randdolph e o inglês Aleister Crowley, o primeiro nos EUA e o segundo na Inglaterra, foram os primeiros Adeptos do século passado à advogar abertamente o uso mágico da atividade sexual. Cem anos depois o tema ainda é suspeito no Ocidente e da mesma forma como no passado, a prática espiritual aliada ao coito tem sido vulgarizada e deixada ao deszelo por agentes cruéis que fazem deste conhecimento fonte de mazela, dor e sofrimento. Portanto, o texto de Paramahamsajī aqui apresenta, com a lucidez aguçada de um mestre desperto, um Chefe Secreto, alguns pontos que têm sido mantidos sob a névoa da ignorância espiritual.

Em seu livro O Renascer da Magia, Kenneth Grant demonstrou com destreza a natureza real deste caminho e no livro que se segue em sequência, Aleister Crowley & o Deus Oculto, o assunto foi tratado em riqueza de detalhes. Ambos os livros estão sendo publicados periodicamente neste blog. Mas Grant não escrevia para principiantes, assim como Crowley antes dele. Muitas das informações contidas em seus escritos são veladas aos olhos do profano e o resultado é o que temos visto, o crescimento de um entendimento incorreto da fórmula mágica e portanto sua destruição pela manipulação bárbara e torpe por aqueles que se dizem mestres tântricos, mas que não passam de gusanos desfrutando deliberadamente de seus sentidos desmedidos e desenfreados. Assim, espero que o texto abaixo ajude a muitos Ocultistas a retomarem o fio da meada neste campo tão poderoso, mas não menos perigoso, que conhecemos como magia sexual e suas afinidades com os ritos tântricos da tradição vāmācāra.

Finalmente, gostaria de finalizar com alguns apontamentos. Uma imersão profunda na tradição tântrica me possibilitou perceber alguns nuances importantes que anteriormente não eram de valor ou estima de minha parte. Como praticante de magia sexual, fui indisciplinado. Isso me levou ao erro por falta de entendimento da importância e relevância destes nuances que somente fui perceber anos depois. Em poucas palavras, o que eu quero transmitir é que não é possível ser um Ocultista adepto da magia sexual sem um treinamento e uma prática constante de técnicas tântricas fornecidas pelo haṭha-yoga. Magia sexual não pode ser confundida com Tantra. Mas de qualquer maneira, a magia sexual é uma prática tântrica e como tal, as técnicas anteriormente mencionadas – e que serão citadas no texto abaixo – devem ser levadas em consideração. Devem ser executadas com assiduidade disciplinada para poderem ser aperfeiçoadas. Somente assim a magia sexual poderá fornecer seus frutos verdadeiros. Portanto, sem medo de erro: se você advoga ser um praticante de magia sexual e simplesmente desconhece estas técnicas, não sabe o que está fazendo. E se conhece mas não tem a disciplina e a coragem para praticá-las, sua obra é pífia e você, um elo fraco da corrente.

Fernando Liguori



A vida sexual tem sido sempre um problema para a humanidade. Desde o começo da história, a energia primordial tem sido mal compreendida. Professores religiosos e moralistas têm denunciado isto. Mas a vida sexual continua, não porque o homem a respeite, mas porque ele necessita dela. Ele talvez a renuncie, mas ele não pode removê-la de sua mente, porque ela é um de seus mais poderosos impulsos.

No contexto do Yoga e do Tantra, a comum definição de vida sexual não tem relevância. É absolutamente não científico e incorreto. Essa definição tem criado uma sociedade e uma nação de hipócritas. Tem conduzido milhares de pessoas jovens para dentro de um asilo mental. Quando você quer algo o qual pensa que é mal, todos os tipos de complexos de culpa surgem. Isto é o início da esquizofrenia, e todos nós somos esquizofrênicos em certa medida.

Entretanto, os yogīs têm tentado dar uma direção correta para o impulso sexual. Yoga não interfere com a vida sexual. A vida sexual normal nem é espiritual ou não espiritual. Mas se você pratica Yoga e domina certas técnicas, então a vida sexual se torna espiritual. Naturalmente, se você segue uma vida celibatária, isto é também espiritual.

Tantra da Mão Esquerda

A ciência do Tantra tem dois principais ramos, os quais são conhecidos como vāmā-mārga e dakṣṇa-mārga. Vāmā-mārga é o caminho esquerdo o qual combina vida sexual com práticas de Yoga para despertar os centros de energia adormecidos. Dakṣṇa-mārga é o caminho da direita das práticas de Yoga sem lei sexual. Previamente, devido às barreiras na vida sexual, o caminho mais largamente seguido foi o dakṣṇa-mārga. Hoje, entretanto, estas barreiras estão sendo rapidamente quebradas, e o caminho mais procurado pelas pessoas em todos lugares é vāmā-mārga, a qual utiliza a vida sexual para o desenvolvimento espiritual.

De acordo com o Tantra, a vida sexual tem uma proposta tríplice. Alguns praticam-na para procriação, outros por prazer, mas as práticas tântricas são para o samādhi. Ele não mantém nenhuma visão negativa sobre isto. Ele a faz como uma parte de seu sādhanā. Mas, ao mesmo tempo, ele se dá conta que para propostas espirituais, a experiência deve ser mantida. Ordinariamente, esta experiência é perdida antes que alguém possa aprofundar-se nela. Dominando certas técnicas, entretanto, esta experiência pode tornar-se contínua mesmo em todas as parte da vida diária. Então os centros silenciosos do cérebro são despertados e começam a funcionar todo o tempo.

A energia principal

A alegação do vāmā-mārga é que o despertar da kuṇḍalinī é possível por meio da interação sexual entre o homem e a mulher. O conceito atrás disso segue as mesmas linhas que o processo de fissão e fusão descritos na física moderna. O homem e a mulher representam a energia positiva e negativa. Em um nível mental eles representam tempo e espaço. Ordinariamente, estas duas forças permanecem em polos opostos. Durante a interação sexual, entretanto, eles movem-se para fora de suas posições de polaridade, em direção ao centro. Quando eles vêm juntos ao núcleo ou ponto central, uma explosão ocorre e a matéria torna-se manifesta. Este é o tema básico da iniciação tântrica.

O evento natural que toma lugar entre o homem e a mulher é considerado como a explosão do centro de energia. Em todo pontinho da vida, ela é a união entre os polos positivo e negativo que é responsável pela iluminação, e a experiência que ocorre neste momento de união é um vislumbre da alta experiência.

Este assunto tem sido cuidadosamente discutido em todas as antigas escrituras do Tantra. Verdadeiramente mais importante do que as ondas de energia que são criadas durante a união mútua, é o processo de direcionamento dessa energia para os centros mais altos. Todos sabem como esta energia é criada, mas ninguém sabe como dirigi-la para os centros mais altos. De fato, muito poucas pessoas tem completo entendimento positivo desse evento natural o qual quase todas pessoas no mundo experienciam. Se a experiência conjugal, a qual é geralmente muito transitória, pudesse ser estendida por um período de tempo, então a experiência de iluminação poderia ocorrer.

Os elementos que são trazidos juntos nesse processo de união são conhecidos como Śiva e Śakti. Śiva representa o puruṣa ou consciência e Śakti representa prakṛti ou energia. Śakti, de diferentes formas, é representada em toda a criação. Ambos a energia material e espiritual são conhecidos como Śakti. Quando a energia move-se externamente, ela é a energia material e quando ela é dirigida interiormente é a energia espiritual. Entretanto, quando a união entre homem e mulher é praticada de uma forma correta, ela tem uma influência muito positiva no desenvolvimento da consciência espiritual.

Mantendo o bindu

Bindu significa um ponto ou uma gota. No Tantra, bindu é considerado o núcleo, ou domicílio da matéria, o ponto do qual toda criação torna-se manifesta.

Verdadeiramente, a fonte do bindu são os mais altos centros do cérebro. Mas devido ao desenvolvimento das emoções e paixões, o bindu cai para uma região mais baixa onde é transformado em esperma e óvulo. No nível mais alto, bindu é um ponto. No nível mais baixo, ele é a gota de líquido, a qual goteja do organismo masculino e feminino.

De acordo com o Tantra, a preservação do bindu é absolutamente necessária por duas razões. Primeiramente, o processo de regeneração pode unicamente ser executado com a ajuda do bindu. Em segundo lugar, todas as experiências espirituais ocorrem quando existe uma explosão do bindu. Esta explosão pode resultar na criação de tudo ou de nada. Entretanto, no Tantra, certas práticas são recomendadas através das quais o parceiro masculino pode parar a ejaculação e manter o bindu.

De acordo com o Tantra, a ejaculação não deveria ocorrer. Alguém deveria ensinar como interrompê-la. Para este fim, o parceiro homem deveria ter aperfeiçoado as práticas de vajrolī-mudrā tão bem quanto mūla-bhanda e uḍḍīyāna-bandha. Quando estes três kriyās são executados com perfeição, a pessoa está apta a parar a ejaculação completamente em qualquer ponto da experiência.

O ato sexual culmina em uma particular experiência a qual é alcançada somente no ponto de explosão da energia. A menos que a energia exploda, a experiência pode não ocorrer. Mas esta experiência tem de ser mantida, assim que o nível da energia mantém-se alto. Quando o nível da energia cai à ejaculação ocorre. Entretanto, a ejaculação é evitada, não tanto para preservar o sêmen, mas porque isto causa a depressão no nível de energia.

Para fazer esta energia viajar para cima através da espinha, certos kriyās do haṭha-yoga têm de ter sido dominados. A experiência a qual é concomitante de energia tem que ser elevada para os centros mais altos. Isto somente é possível fazer se você pode prolongar e manter esta experiência. À medida que a experiência continua, você pode dirigi-la para os centros mais altos. Mas tão logo o nível de energia sofra uma depressão, a ejaculação ocorre.

A ejaculação baixa a temperatura do corpo e ao mesmo tempo, o sistema nervoso sofre uma depressão. Quando o sistema nervoso simpático e parassimpático sofrem uma depressão, isto afeta o cérebro. Isto é o que faz muitas pessoas terem problemas mentais. Quando você pode manter o sêmem sem absolutamente ejacular, a energia no sistema nervoso e a temperatura em todo corpo são mantidas. Ao mesmo tempo, você está livre do sentido de perda, depressão, frustração e culpa. A retenção também ajudará você a aumentar a frequência sexual, e isto é melhor para ambos os parceiros. O ato sexual não cria fraqueza ou dissipa a energia, pelo contrário, ele pode tornar-se um meio de expansão da energia. Entretanto, o valor de manter o bindu não deveria ser subestimado.

No Haṭha-yoga existem certas práticas as quais devem ser aperfeiçoadas para este fim. Você deveria começar com āsanas tal como paścimottānāsana, śalabhāsana, vajrāsana, supta-vajrāsana e siddhāsana. Estas são benéficas conforme elas determinam uma automática contração nos centros mais baixos. śirśāsana é também importante porque ventila o cérebro; assim toda a experiência de uma pessoa será saudavelmente vivenciada. Quando estas posturas tiverem sido dominadas, śambhavī-mudrā é aperfeiçoada a fim de segurar a concentração firmemente no bhrumadhya. A prática de kumbhaka é necessária enquanto a ejaculação está sendo retida.

Retenção do fôlego e o bindu seguem de mãos dadas. A perda da kumbhaka é a perda do bindu, e a perda do bindu é a perda da kumbhaka.

Durante a kumbhaka, quando se está mantendo a experiência, você deveria poder direcionar isto [o bindu] para os centros mais altos. Se você pode criar um arquétipo desta experiência, talvez na forma de uma serpente ou de uma continuidade luminosa, sequencial, então o resultado será fantástico. Assim, na vida espiritual, o bindu deve ser preservado a todo custo.

A experiência feminina

No corpo da mulher, o ponto de concentração é o mūlādhāra-cakra, o qual está situado no colo do útero, justamente atrás da abertura vaginal. Este é o ponto onde espaço e tempo unem-se e explodem na forma de uma experiência. Esta experiência é conhecida como orgasmo na linguagem ordinária, mas na linguagem do Tantra ela é chamada um despertar. Para manter a continuidade da experiência, é necessário que o desenvolvimento da energia ocorra em um particular bindu ou ponto. Usualmente isso não acontece, porque a explosão de energia dissipa o corpo totalmente através do sexo médio, moderado. Para evitar isto, a mulher deve poder segurar sua mente em concentração absoluta neste ponto particular. Para isto, a prática é conhecida como sahajolī-mudrā.

Verdadeiramente, sahajolī é a concentração no bindu, mas isto é muito difícil. Entretanto, a prática de sahajolī, a qual é a contração da vagina tanto quanto dos músculos do útero, deveria ser praticada por um longo período de tempo.

Se as meninas são ensinadas a fazer uḍḍīyāna-bandha cedo, elas aperfeiçoarão sahajolī muito naturalmente com o tempo. Uḍḍīyāna-bandha é sempre praticado com retenção externa. É importante poder fazê-la em qualquer posição. Usualmente, ela é praticada em siddha-yoni-āsana, mas a pessoa deveria poder fazê-la em vajrāsana ou na várias outras posturas também. Quando você pratica uḍḍīyāna-bandha, os outros dois bandhasjālaṃdhara e mūla-bandha ocorrem espontaneamente.

Anos desta prática criarão um aguçado senso de concentração no correto ponto no corpo. Esta concentração é de natureza mais mental, mas ao mesmo tempo, desde que não seja possível fazê-la mentalmente, a pessoa tem que começar de algum ponto físico. Se uma mulher é capaz de concentrar e manter a continuidade da experiência, ela pode despertar sua energia para um alto nível.

De acordo com o Tantra, existem duas diferentes áreas de orgasmo. Uma é na zona nervosa, a qual é a experiência comum da maioria das mulheres, e a outra é no mūlādhāra-cakra. Quando sahajolī é praticado durante o maithuna (o ato de união sexual), o mūlādhāra-cakra desperta e o orgasmo espiritual ou tântrico ocorre.

Quando a yoguinī pode praticar sahajolī por digamos 5 a 15 minutos, ela poderá manter o orgasmo tântrico pelo mesmo período de tempo. Mantendo essa experiência, o fluxo de energia é revertido. A circulação do sangue e as forças simpáticas e parassimpáticas movem-se para cima.

Neste ponto, ela transcende a consciência normal e vê as luzes. É como se ela entrasse em um estado mais profundo de dhyāna. A menos que a mulher possa praticar sahajolī, ela não poderá manter os impulsos necessários para o orgasmo tântrico, e consequentemente terá o orgasmo nervoso, o qual tem uma vida curta e é seguido por insatisfação e exaustão.

Esta é a mais frequente causa de histeria e depressão nas mulheres. Assim, sahajolī é uma prática extremamente importante para a mulher. Em uḍḍīyāna, nauli, naukāsana, vajrāsana e siddha-yoni-āsana, sahajolī vem naturalmente.

A prática de amarolī é também muito importante para a mulher casada. A palavra amarolī significa «imortal» e por esta prática a pessoa é liberta de muitas doenças.

A prática de amarolī após um prolongado período também produz um importante hormônio conhecido como prostaglandina a qual destrói o óvulo e previne a concepção.

Guru tântrico

Justamente como no esquema da criação, Śakti é a criadora e Śiva a testemunha de todo jogo, no tantra a mulher tem o status de guru e o homem de discípulo. A tradição tântrica é verdadeiramente passada da mulher para o homem. Na prática tântrica, é a mulher que dá a iniciação.

É somente por seu poder que o ato de maithuna ocorre. Todas as preliminares são feitas por ela. Ela coloca a marca na testa do homem e conta-lhe onde meditar. Na interação comum, o homem toma o papel agressivo e a mulher participa. Mas no Tantra, eles trocam de papéis. A mulher torna-se a operadora e o homem o seu mediador. Ela tem que poder despertá-lo. Então, neste mesmo momento, ela deve criar o bindu e assim ele pode praticar vajrolī. Se o homem perde seu bindu, significa que a mulher falhou em desempenhar suas funções com propriedade.

No Tantra é dito que Śiva é incapaz sem Śakti. Śakti é a sacerdotisa. Entretanto, quando vāmā-tantra é praticado, o homem deve ter uma absoluta atitude tântrica em direção à mulher. Ele não pode comportar-se com ela como os homens geralmente fazem com outras mulheres. Ordinariamente, quando um homem olha uma mulher ele torna-se apaixonado, mas durante o maithuna ele não deve! Ele deveria olha-la como a mãe divina, Devī, e desenvolver com ela uma atitude de devoção e rendição, não com luxúria.

De acordo com o conceito tântrico, as mulheres são mais dotadas de qualidades espirituais e seria uma coisa sábia se a elas fosse permitido assumir posições elevadas nas questões sociais. Então, existiria maior beleza, compaixão, amor e compreensão em todas as esferas da vida.

O que nós estamos discutindo aqui não é uma sociedade patriarcal versus uma sociedade matriarcal, mas Tantra, particularmente Tantra da Mão Esquerda.

O caminho dos yogīs e não bhogis

No Tantra, a prática do maithuna é dita ser o mais fácil modo de despertar a suṣumṇā, porque ele envolve um ato o qual a maioria das pessoas já estão acostumadas. Mas, francamente falando, muito poucas estão preparadas para este caminho. A interação sexual ordinária não é maithuna. O ato físico talvez seja o mesmo, mas o conhecimento trazido é totalmente diferente.

No relacionamento entre marido e esposa, por exemplo, existe dependência e posse, mas no Tantra cada parceiro é independente, cada um consigo mesmo. Outra coisa difícil no sādhanā tântrico é cultivar a atitude de não apaixonado. O homem tem que virtualmente tornar-se brahmacarya para poder libertar a mente e as emoções dos pensamentos sexuais e de paixão os quais normalmente despertam na presença de uma mulher.

Ambos parceiros devem ser absolutamente purificados e possuir auto-controle tanto interna e externamente, antes de praticarem o maithuna. Isto é difícil para as pessoas comuns compreenderem porque para a maioria das pessoas, a interação sexual é o resultado de paixão e atração física e emocional, também para procriação ou prazer.

É somente quando você está purificado que estes impulsos instintivos são ausentes. Isto é porque, de acordo com a tradição, o caminho do dakṣṇa-mārga deve ser seguido por muitos anos antes de poder entrar no caminho do vāmā-mārga. Então a interação do maithuna não ocorre para a gratificação física. A proposta é muito clara – o despertar da suṣumṇā, a subida da energia kuṇḍalinī do mūlādhāra-cakra, e a explosão das áreas inconscientes do cérebro.

Se isto não está claro quando você pratica os kriyās e a suṣumṇā se torna ativa, você não poderá encarar o despertar. Sua cabeça ficará quente e você não poderá controlar a paixão e excitação porque você não terá tranquilizado seu cérebro.

Entretanto, em minha opinião somente aqueles que são adeptos do Yoga estão qualificados para o vāmā-mārga. Este caminho não deve ser usado indiscriminadamente como um pretexto para auto-indulgência. Ele é referido para maduros e sérios sādhakas, chefes de família cuidadosos para despertar a energia potencial e obter o samādhi.

Eles devem utilizar este caminho como um veículo do despertar, de outra forma ele torna-se um caminho de queda.

1 comentários:

leandro 1 de abril de 2013 07:22  

Fernando,
Alguma escola de yoga que tu recomendarias aqui no RS (Rio Grande do Sul) ? Sou de Canoas/RS ao lado de Porto Alegre, então qualquer escola na região eu daria um jeito de participar.

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